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22/09/2007 - 08:54

Saia da rotina para não precisar fugir dela

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Estou escrevendo a partir de uma minúscula cidade do interior do Rio Grande do Sul chamada Três Coroas. Na verdade, num centro budista no topo da Serra Gaúcha. Lá fora, a neblina é tão espessa que se você esticar o braço à sua frente quase não enxergará a ponta dos dedos. E daqui a pouco preciso desligar o micro porque está relampeando demais e as instalações são precárias. Venho aqui pelo menos duas vezes por ano para uma semana de retiro.

Quantas vezes por ano você pode se dar o luxo de sair da sua rotina? Veja bem, não estou falando de férias. Até porque isso não tem nada a ver com o que fazemos aqui. Refiro-me a colocar-se numa situação na qual sua forma habitual de gerenciar o cotidiano não funciona. E, claro, tentar aprender com isso.

Por exemplo, como esse retiro é coletivo, costumo ficar no dormitório. Você precisa dormir num beliche, tomar banho num lugar bem pequeno, compartilhar espaços com as pessoas, ouvir roncos e sons que seus companheiros de quarto emitem à noite, ajudar pacientemente os praticantes que não têm experiência nesse tipo de evento, entre outras coisas. E dessa vez temos um desafio extra: há uma equipe de cinema por aqui filmando o novo trabalho da atriz Lucélia Santos.

O que se aprende numa situação dessas? Muitas coisas, mas, basicamente, generosidade e paciência. À medida em que você ganha conhecimentos num determinado assunto, por menor que sejam, é muito fácil ficar arrogante. E mais, na carência e necessidade de sentir-se especialista e aceito pela comunidade, passa a ignorar ou tratar mal as pessoas. Vejo isso muito em comentários em sites na internet, por exemplo.

Parte do nosso treinamento aqui no Khadro Ling é tentar ser paciente, generoso e didático, não importa o que elas saibam e quem sejam. Mesmo que pareça que você é um estúpido.

Esses períodos fora da rotina ajudam a transformá-la na volta. Você passa a ter uma visão um pouco menos exigente e chata de tudo o que acontece. Entende que senso crítico é diferente de ranhetice, que conhecimento nada tem a ver com arrogância e que muitos dos seus hábitos são completamente dispensáveis.

Se você não é do tipo que gosta de “atividades asiáticas” como eu, deveria encontrar a sua própria maneira de passar por períodos em que se concentra no essencial – viagens para locais difíceis, essas coisas. No mínimo, você deve voltar com vontade de gastar menos na conta de luz. :-)

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2 comentários para “Saia da rotina para não precisar fugir dela”

  1. Valeria Soares de Li disse:

    Olha, após ler sua reportagem, é que me dei conta que preciso mudar os meus hábitos. Acahamos tempo para tudo menos para aprender com o diferente.
    Um grande abraço.
    E continue se aventurando, pois são nessas lições que aprendemos a viver em comunidade e a sermos pessoas acima de tudo.

    Valeria Lima

  2. Edson Lopes de Morae disse:

    realmente devemos ver as coisas sempre com olhos de ternura e felicidade; na vida tudo é fora do essencial, pois essencial é viver.

Os comentários do texto estão encerrados.

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